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Depressão e trabalho: cuidados com a saúde mental

Nunca se falou tanto sobre saúde mental quanto agora. A depressão, que antes era vista como um tabu, ganha o protagonismo nas rodas de conversa depois de dois anos de pandemia, quando o bem-estar físico e mental se tornou a pauta do momento. E, em tempos de burnout, é impossível não pensar no papel dos ambientes de trabalho na relação com a doença, certo? 

Com o aumento de casos de depressão no mundo e com o boom do burnout, acende um alerta para a saúde mental no ambiente profissional

O QUE É DEPRESSÃO? 

“Muitas vezes confundida com uma tristeza profunda, a depressão é considerada o ‘mal do século’ e é responsável por trazer sofrimento à vida de milhões de pessoas”, explica Bárbara Merlin, psicóloga da Eurekka. “É uma doença silenciosa que pode deixar as pessoas abatidas, desanimadas e sem conseguir sentir prazer em atividades rotineiras, além de causar variações de apetite, peso e sono.”


Diz-se que uma pessoa tem um quadro depressivo quando ela está sofrendo, está triste ou está desinteressada a maior parte do dia, quase todos os dias, e apresenta pelo menos três outros sintomas emocionais ou físicos por, no mínimo, duas semanas consecutivas. 


Segundo a profissional, são sintomas emocionais de depressão:

  • Tristeza persistente em diferentes intensidades;

  • Perda de interesse por atividades que antes empolgavam;

  • Dificuldade constante para se concentrar;

  • Baixa consideração por si mesmo, sentir-se sem valor, baixa autoestima;

  • Dificuldade de sentir prazer e emoções positivas;

  • Pensar em morte ou fazer um plano para suicídio.

Já os sintomas físicos são:

  • Cansaço que nunca passa;

  • Muito sono ou insônia;

  • Agitação motora ou lentidão dos movimentos;

  • Muito apetite ou nada de fome – o que pode levar a ganhar ou perder peso.

Por isso mesmo o tratamento também não funciona da mesma forma que para uma doença do corpo, por exemplo. “A principal estratégia para vencer a depressão profunda é buscar o tratamento completo, que é: psicoterapia com psicólogo, farmacoterapia com psiquiatra e mudança de hábitos”, diz Bárbara.  


Esse é um ponto-chave quando se fala em depressão: por ser uma doença que pode matar, é preciso uma combinação dos três fatores para que o tratamento seja efetivo e a recuperação completa aconteça. 


DEPRESSÃO E TRABALHO

Entra aí a questão do trabalho. Muitas pessoas percebem que algo está errado quando sentem a sua motivação e o seu rendimento no trabalho caírem drasticamente. Não é à toa que a Organização Mundial de Saúde considera a depressão uma doença incapacitante. 


“Considera-se a depressão uma doença incapacitante por prejudicar o desempenho nas tarefas de vida diária, causando diminuição da qualidade de vida, incluindo as atividades laborais”, explica Cláudia Memória, neuropsicóloga da Nilo Saúde. 


Isso, claro, não acontece de uma hora para a outra. Antes de apresentar um quadro agravado de depressão, o paciente começa a dar sinais de que algo está em desalinho: ele se sente mais irritadiço ou apático, percebe que está se sentindo muito cansado ou até começa a apresentar alterações no seu padrão de sono. 


Dada essa característica da doença, é importante salientar que as empresas não devem ignorar um colaborador que começa a apresentar sinais depressivos e, como consequência, uma queda no seu rendimento.


“Em linhas gerais, diria que o papel da empresa é acolher e encaminhar o funcionário para o tratamento adequado. Para isso, a empresa precisa oferecer condições para que gestores e colaboradores se sintam à vontade para falar de doenças mentais”, continua. 


Para isso, existem uma série de medidas, como palestras sobre o tópico, rodas de conversa e até rodadas de feedback um a um. Mas, assim como a discussão, essa preocupação das empresas com o estado mental de seus colaboradores é recente – há décadas o meio empresarial lida com as doenças mentais de forma torta, ou são mal compreendidas ou ignoradas. 


“De um lado, gestores que não sabiam como abordar o funcionário e, do outro, o colaborador que tinha receio do julgamento ao expor sua condição. E nesse ‘pacto de silêncio’, podemos imaginar que alguns funcionários foram considerados “descompromissados” com suas atribuições, resultando em desligamentos.”, explica a neuropsicóloga.  


Mas nem tudo são más notícias. Nos últimos anos, um número crescente de empresas começaram a aplicar programas de qualidade de vida que abrangem tanto o cuidado com a saúde física, quanto com a saúde mental. E isso é vantajoso de inúmeras maneiras, já que mais de um estudo comprovou que um ambiente profissional que garante segurança psicológica aos seus colaboradores minimiza os seus custos com saúde, reduz a rotatividade do seu quadro de funcionários e aumenta a produtividade. 


“Algumas formas de se avaliar o nosso desempenho no ambiente laboral é através da qualidade do nosso trabalho, atingimento de metas e cumprimento de prazos –  e uma pessoa deprimida, frequentemente, tem dificuldade para manter-se engajada e produtiva”, continua. “Muitas vezes, o deprimido se sente culpado – porque tem a consciência que poderia desempenhar melhor suas atribuições, assim como, frustrado e impotente por não conseguir sair desse ciclo de fracassos.”


É por isso que a melhor solução para todos os lados, tanto das empresas, quanto dos colaboradores, é a educação a respeito de saúde mental e os riscos e perigos da depressão. Dessa forma, o trabalho de vigilância e cuidado a respeito da doença passa a ser coletivo e não apenas individual. 


“É importante ter em mente que saúde mental é estar bem consigo e com os outros, reagir de forma funcional às exigências da vida, saber lidar com as boas emoções e com as desagradáveis, e reconhecer seus limites para buscar ajuda quando necessário”, finaliza Cláudia. 


Fonte: BOA FORMA (ABRIL).

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